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Sorte nula
Sorte nula
Neurogamia
Do bem nasce todo o mal
Disse um poeta qualquer
Mal-amado pela prosa
Fez dos versos uma mulher
Amou-a como ninguém
Fez-lhe a corte e desposou-a
Prometeu-lhe amor eterno
No altar, abandonou-a.
 
Do trabalho para casa
Um homem luta no ganha-pão
Amanhã é outro dia
Reveza o sonho com a solidão
E acorda com o frio
Sai à rua e bebe a bica
Gasta as horas em sofrimento
Quanto mais ganha menos fica
 
Quis a sorte ser madrasta
Tirar força a quem se arrasta
Deixar só quem está sozinho
Sorte nula que condena quem já tem vida pequena
 
Fiz-me rico e conhecido
Ostentei p´ro mundo ver
De que fibra era feito
Osso duro de roer
E a fortuna estava à espreita
Quando a noite apareceu
Envolta em sorte nula
Fugiram todos e fiquei eu