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Sinto, Logo Existo
Sinto, Logo Existo
Arquétipos da alma

Será que sentes mais do que eu pedi?
Um dia talvez te possa contar,
Se a nossa história não ficar por aqui,
Aquilo que me faz atordoar.
Não posso dizer o que farei
Ainda não me encontrei.
Seremos mais do que uma voz distante
Unidos por palavras em cadeia?
Seremos almas em rédea solta
A pôr a foice em ceara alheia?
Não sei que te diga
Às vezes falar fatiga
Sinto o calor nas minhas mãos
Sinto-me a explodir, sinto-me um vulcão
Sinto o odor na respiração
Sinto a liberdade, sinto a prisão
Se soubesses o que vai cá dentro…
Um dia talvez te possa contar
Sinto um desejo de gritar ao vento
A história que a ti me custa contar
Nada fazia prever
Afinal a razão pode tremer
Sinto o calor nas minhas mãos
Sinto-me a explodir, sinto-me um vulcão
Sinto o odor na respiração
Sinto a liberdade, sinto a prisão
Será que não sei dizer o que sinto
Ou não sei sentir o que digo?

Ricardo

Descubro que ainda passo muito tempo da minha vida a criar fundações, a levantar muros e a cercá-los de arame farpado. Descubro isso sempre que tenho uma colisão frontal, exactamente aquilo para o qual me tenho tentado proteger. Mas então porque continuo a insistir em acelerar na auto-estrada em contra-mão? Que sentido faz queixar-me das moscas que me caem na sopa se a estou a tomar ao lado da estrebaria? Que sentido faz perder tanto tempo nestas arquitecturas se sei cá por dentro que sou campo raso a perder de vista? Vê o que me fizeste! Podes não descobrir mas estás lá, cravada como uma estaca no terreno da memória. Pode não servir de grande compensação a ideia de que a tua importância existe porque está dentro de mim, se o que querias era que eu fosse importante para ti. Mas posso não ser capaz de dar mais do que isto. Às vezes as palavras custam a sair tanto quanto a ordem dos pensamentos. Às vezes perco-me na imensidão do campo raso, tal é a estranheza de me deparar com ele, habituado que estou às fundações e aos muros e ao arame farpado. Mas estás lá, não vês? E mesmo que te pareça ter sido tudo um relance, e mesmo que um dia aches que não valia a pena, vais lá ficar para sempre.