música > letras

Num Imenso Céu Voar
Num Imenso Céu Voar
Arquétipos da alma

Hoje vou sair à rua, investir na minha sorte
Cruzar-me com os destinos que teimam em existir
Pisar as pedras do caminho emanando um cheiro forte
Entre brigas, desatinos de poemas a fingir
Vou largar-me numa tasca, agarrar-me ao balcão
Embriagar-me em palavras escrever uma canção
Conceder-me o desejo de ser minha fada-madrinha
Reaver-me na idade, na vida que então tinha
Anjo que o tempo me destinou
Suas asas vou usar
Para poder sair daqui
Num imenso céu voar
Hoje vou sair à rua misturar-me com os sítios
Saciar minha vontade de ver o dia nascer
Comentar o mal alheio (um cinismo dos meus vícios)
A mania da idade que eu quero sempre ter
Vou largar-me numa tasca, agarrar-me ao balcão
Embriagar-me em palavras escrever uma canção
Na linha do horizonte vou pedir para ficar
Acordar com as madrugadas e no pôr-do-sol me deitar

Mário F.

Quando sós, interpretamos mal a segurança deste estado. Depois, quando não sós, ansiamos a liberdade de um conceito que voltamos a desejar. É a confirmação da negação enquanto arquétipo das almas humanas. Tentamos a sorte na busca do prazer esguio e fugaz, mas mesmo assim delicioso ao ponto de nos arrastar para uma vivência de busca sem grande sentido. E é essa busca que acreditamos ser a última, a derradeira, a necessária agonia com vista à obtenção do parceiro desde sempre desejado. Aquele que imaginámos em sonhos e que a vida nos ensina a esfumar entre desilusões, sofrimento e acomodação. Talvez por isso, a essa mulher chamei Anjo, pois dela esperaria elevação, brancura, languidez no movimento e trato. Nas suas asas me deixaria levar para longe, fosse esse o meu destino, fossem essas as rotas dos anjos.


Mário

Quando negamos a nossa origem tentamos abrir portas que até então consideraríamos fechadas. Quando achamos que estamos errados... tomamos diferentes opções que podem tornar-nos mais ricos. Foi o caso.