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Morri Antes Do Tempo
Morri Antes Do Tempo
Arquétipos da alma

Flutuar, porque o corpo que não me pesa
Ver além uma luz que me entorpeça
Vislumbrar um cenário irreal
Escutar um coro celestial
Não consigo respirar e o corpo não me obedece
Sinto que a mortalha me purifica e me apodrece
Será que isto é eutanásia ou um desejo reprimido?
Eu queria encontrar a verdade nesta autópsia dos sentidos
Eu morri antes do tempo
Eu morri antes que chamassem por mim
Não dei pelo Ceifador nem pela luz do Salvador
Mas morria antes que chegasse ao meu fim
Extinção, deve ser o que me espera
Uma memória, uma imagem de outras eras
Foste doença terminal que arrasou comigo
Me fez ir para as alminhas
Que incorreu neste homicídio
Não sei se vou reencarnar ou se quero tal providência
Se a alma não podes cremar vai ser essa a tua penitência
Bati a bota, dei de frosques, fui para outra, já bazei
Fazer cimento, volto ao pó e daqui já não sairei
Pus-me a milhas, dei o fora fiz-me à vida, e só eu sei
O que custou ter a coragem de não pôr as culpas a ninguém
És a causa deste mal que me consumiu por dentro
Me arrancou de quem eu era e me levou deste tempo
Mas não te vou atormentar, não vou ser assombração
Vou deixar-te em paz e ficar nesta condição

Ricardo

Há tempos tive uma experiência estranhíssima: morri, estando vivo. E morto me mantenho… porque se a vida não acaba na morte (mas permanece na memória de quem fica), a morte também não precisa da vida para nada. O que mais me custou não foi reconhecer que estava morto, mas sim fazer o luto da vida. Habituar-me à ideia que a vida era uma inevitabilidade para os outros, mas uma condição terrível para mim. E receei pelos meus mais queridos: que pudessem ter um final triste como o meu, condenados ao inferno de viver entre labaredas de fígados maus e raios no olhar.


Mário

Repleta de energia da vida, capaz de gerar movimento, não desistindo de puxar para o lado mais esquizofrénico da nossa música. Quase que morríamos antes do tempo!